segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Noções sobre a mediunidade



A mediunidade é uma condição orgânica, de que todos nós somos dotados, como a de ver de ouvir e de falar. Não há nenhuma de que o homem, em conseqüência de seu livre arbítrio, não possa abusar. Ora, se Deus não tivesse concedido a palavra, por exemplo, senão aos que são incapazes de dizer coisas más, haveria mais mudos do que falantes. Deus entregou as faculdades aos homens, dando-lhes liberdade de usá-las como quiser, mas sempre sofremos as conseqüências de seu uso, mal ou bom.
Mediunidade é a faculdade, ou aptidão, que possuem certos indivíduos, denominados médiuns, de servirem de intermediários entre os mundos físico e espiritual.
A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos virtuosos para os fortalecer no bem, aos viciosos para os corrigir. O seu uso é que a caracteriza. A mediunidade não implica, necessariamente, nas relações habituais com os espíritos superiores. É simplesmente uma aptidão, para servir de instrumento, mais ou menos dócil, aos espíritos em geral. O bom médium não é, portanto, aquele que tem facilidade de comunicação, mas o que é simpático aos bons espíritos e só por eles é assistido. É nesse sentido unicamente, que a excelência das qualidades morais é de importância absoluta para a mediunidade. Elas podem ser cultivadas pela oração e pela vigilância íntima.
Este dom de Deus não é concedido ao médium para seu deleite e, ainda menos, para a satisfação de suas ambições, mas para fim de sua melhoria espiritual e para dar a conhecer aos homens a verdade. Se o espírito verifica que o médium já não corresponde às suas visitas e já não aproveita das instruções e dos conselhos que lhe dá, afasta-se, em busca de um protegido mais digno. Dai, a importância da conduta a mais irrepreensível, como testemunho do médium.
Ninguém deverá forçar o desenvolvimento desta ou daquela faculdade, porque, nesse terreno, toda a espontaneidade é necessária; observando-se, contudo, a floração mediúnica espontânea, nas expressões mais simples, deve-se aceitar o evento com as melhores disposições de trabalho e de boa vontade, seja essa possibilidade psíquica a mais humilde de todas. Não existe mediunidade mais preciosa uma que a outra.
A primeira necessidade do médium é evangelizar-se a sim mesmo antes de se entregar a grandes tarefas doutrinárias, pois, de outro modo, poderá esbarrar sempre com o fantasma do personalismo, em detrimento de sua tarefa.
O médium tem por obrigação estudar muito, observar intensamente e trabalhar em todos os instantes pela sua própria iluminação.
Cobrar dinheiro ou qualquer outro tipo de benefício para a realização de trabalhos mediúnicos constitui um ato criminoso, no qual o médium deverá esperar no futuro as conseqüências mais dolorosas.
O primeiro inimigo do médium reside nele mesmo. Freqüentemente é o orgulho, o egoísmo, a ambição, a vaidade , que não raro o conduzem a invigilância, a leviandade e ao desequilíbrio.